Matéria em atualização
O depoimento de um colaborador trouxe novas alegações para uma investigação sobre uma suposta rede que teria atuado silenciosamente em Mato Grosso na compra e venda de precatórios de prefeituras.
De acordo com as declarações de Wesley camacho vieira, Carlos Henrique Monteiro Oliveira, de 22 anos, seria um dos principais articuladores nos bastidores da suposta estrutura. Apesar da influência que lhe é atribuída pelo colaborador, seu nome praticamente não apareceria nas operações e negociações descritas no depoimento.
“Ele não aparecia. Essa era justamente a diferença. As pessoas conheciam o G.A.C., que estava na frente, mas não necessariamente quem estava por trás das decisões”, declarou Wesley camacho vieira.
Segundo o colaborador, Carlos Henrique Monteiro Oliveira procurava evitar qualquer associação direta entre sua imagem e as atividades que ele atribui ao grupo.
CONEXÕES FORA DE MATO GROSSO
Segundo o relato apresentado na colaboração, a empresa ligada ao jovem teria estabelecido relações com pessoas supostamente vinculadas ao universo da contravenção em Rondônia e no Rio de Janeiro.
Wesley camacho vieira afirma que não se trataria necessariamente de uma única organização operando nos três estados, mas de contatos e alianças que teriam sido construídos conforme interesses específicos.
“Mato Grosso era uma coisa, Rondônia era outra e o Rio tinha uma estrutura completamente diferente. O que existiam eram conexões. Quando havia interesse em comum, as pessoas conversavam”, declarou.
O colaborador afirma ainda que parte desses relacionamentos teria sido construída justamente para evitar uma concentração excessiva das operações em um único grupo.
Segundo seu relato, enquanto empresários conhecidos e personagens mais antigos despertavam atenção, uma suposta cúpula permaneceria fora do radar e atuaria na operacionalização do negócio.
INTERMEDIÁRIOS
A estrutura descrita pelo colaborador seria baseada em diferentes níveis de acesso.
Pessoas responsáveis por determinadas atividades conheceriam apenas seus contatos imediatos. Na versão apresentada pelo delator, esse modelo dificultaria a reconstrução de uma eventual cadeia de comando.
O colaborador afirma que essa separação não aconteceria por acaso.
“Esse era o ponto mais difícil de entender. Ele não precisava estar presente para participar de uma decisão”, acrescentou o colaborador.
DELAÇÃO NÃO HOMOLOGADA
Apesar da gravidade das declarações, a colaboração não teria sido homologada judicialmente e, dessa forma, não produziu os efeitos jurídicos esperados pelo colaborador.
O delator afirma que, após a decisão, surgiram comentários e especulações a respeito das razões que teriam levado à não homologação.
“Eu não posso dizer que uma coisa teve relação com a outra, porque não tenho prova disso, mas foi o que passou a ser comentado”, declarou.
Segundo o relato, essas especulações teriam alcançado inclusive supostos contatos do jovem no meio jurídico e no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
O QUE DIZ A DEFESA
Procurada, a defesa de Carlos Henrique Monteiro Oliveira negou categoricamente as acusações e afirmou que o jovem jamais comandou ou integrou qualquer organização ligada à contravenção em Mato Grosso ou em outros estados.
Segundo os advogados, as declarações atribuídas ao colaborador são “fantasiosas, desprovidas de provas e construídas a partir de suposições”.
“Não existe uma única prova concreta capaz de vincular Carlos Henrique Monteiro Oliveira às atividades criminosas narradas. Não há documento, movimentação financeira, comunicação ou qualquer outro elemento independente que sustente as acusações apresentadas”, afirmou a defesa.
Os advogados também repudiaram as insinuações envolvendo supostos familiares ou contatos do jovem no meio jurídico e no Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
“É irresponsável tentar transformar relações pessoais ou familiares em indícios de interferência sobre o Poder Judiciário. Não existe qualquer elemento que demonstre favorecimento, influência ou participação de integrantes do Tribunal em benefício de Carlos Henrique Monteiro Oliveira”, declarou a defesa.
